25/05/2016

Memórias de uma idosa “meio” jovem. (texto de Samira Elias Sader Videira – 73 anos, ex-aluna e ex-professora da Fafipe).

Autor: Samiras Elias Sader Videira

“O saber está a serviço para combater a desumanidade”.

 

Pediram-me para escrever sobre a Funepe - Faculdade, e sobre mim - aluna, professora, admiradora...

Sempre gostei de estudar, aprender coisas novas. Tinha planos de terminar o Curso Normal e ir para uma Faculdade. Na época, seria em São Paulo ou Marília, para cursar História.

Mudança de rumo: quando terminei o Curso Normal, em 1960, consegui a chamada cadeira-prêmio, isto é, poderia ser professora primária efetivada de imediato. Assim, efetivei-me. Procurando enriquecer a minha formação profissional, frequentei, no Instituto Estadual de Educação Dr. Carlos Sampaio Filho, durante um ano, o Curso de Aperfeiçoamento para Professores e, em 2 anos, o de Administradores Escolares, ambos de segundo grau.

1967 – Eis que poderia concretizar meu projeto inicial: cursar uma faculdade. Isso porque um grupo de beneméritos penapolenses, liderados pelo então prefeito Sr. Edison João Geraissate, conseguiram a criação e a instalação da F.F.C.L. de Penápolis (Fafipe), através da Funepe. Escolhi o curso de Pedagogia. No vestibular, fui classificada em primeiro lugar, conforme o histórico escolar.

Foram quatro anos, e mais outros de várias especializações - todas ligadas à área de educação, onde já atuava, como professora primária.

A Faculdade se firmava como polo cultural e de formação de educadores de toda região Noroeste e Alta Paulista. A minha turma era bem grande. Muitos já vinham com experiência profissional na área, outros recém-saídos do Curso Normal, e alguns, inclusive, da Contabilidade. Vinham de várias localidades: Barbosa, Avanhandava, Promissão, Alto Alegre, Luiziânia, Braúna, José Bonifácio, Bilac, Buritama, Osvaldo Cruz, Araçatuba, Birigui.

Nossos professores vinham de São Paulo, Araçatuba, Lins... Bastante competentes logo perceberam as diferenças de formação da turma: bem grande e com experiências diversificadas. Assim, procuraram conciliar as atividades e os estudos que pudessem agregar veteranos e recém-formados.

Começamos a frequentar a Faculdade ainda nas instalações do antigo Clube Penapolense, hoje Museu do Sol, adaptado para tal fim. Só mais tarde nos instalamos no atual campus. Vivemos, também, tempos difíceis no período da ditadura militar, alguns colegas e professores foram presos para averiguação e depois libertados.

Nosso curso de Pedagogia foi de quatro anos! Tivemos o privilégio de ter várias disciplinas de enriquecimento curricular e de pré-requisitos para outras, como Cultura Brasileira, Matemática e Estatística. O Prof. Fayz Rahal, de Matemática, achava que um grupo da sala, bom na disciplina (eu, inclusive), estava perdendo tempo no curso de Pedagogia, e que deveria cursar Matemática.

À noite chegavam muitos ônibus com os alunos e estacionavam nos arredores da Funepe. Nós, do sexo feminino, íamos para as salas estudar e nossos namorados, e também alguns maridos, ficavam no pátio, nos aguardando. Meu noivo, depois marido, Waldemar Videira – Dema – era um deles. Casamo-nos em 1969 e nosso primeiro filho, Renato, nasceu em 1970. Depois vieram o José Guilherme e o Nilson. Marido e filhos queridos.

Pessoalmente, o antigo gosto pela História se firmou e me identifiquei com as aulas de História e Filosofia da Educação, do Prof. Franco Baruzelli, de Araçatuba. Tornei-me monitora nessas disciplinas e depois assumi as aulas, trabalhando na instituição de 1970 a 2000. Cumpri vários créditos de pós-graduação e com eles consegui o registro definitivo do MEC.

Foram trinta anos de trabalho e de enriquecimento pessoal e profissional expandindo para outras áreas, como professora de Psicologia da Educação, em outras licenciaturas, e professora de Administração Escolar e disciplinas afins, essas do Departamento de Educação.

Trabalhei, também, na Rede Pública de Ensino por quarenta anos, tendo sido professora primária, secundária, coordenadora pedagógica, diretora e supervisora de ensino.

Os colegas de 1970 – 1ª Turma de Pedagogia da Funepe – colocaram-se em várias Escolas Superiores de Penápolis, Birigui, Lins, Araçatuba, Osvaldo Cruz, Andradina, Adamantina, ocupando, ainda, postos de trabalho de destaque nas Diretorias de Ensino da região.

A Fafipe cumpre seu papel, com eficiência e eficácia. Isso fica demonstrado através dos vários concursos públicos da categoria, em que seus ex-alunos se destacam, sendo aprovados e selecionados com distinção. Assim, congratulo-me com a Funepe e com a Fafipe através de seus atuais presidente, diretores, professores, funcionários e alunos por ser esta instituição referência cultural e educacional para jovens e também adultos, que renovam suas esperanças num futuro melhor para si, para a sociedade em que vivemos e para aquela a que aspiramos.

Parabéns pelos 50 anos!!!